Qualquer site gastronômico que se preze já publicou em suas páginas o precurssor dos cafés hippies-chics da capital porteña: Oui Oui foi criado por uma cozinheira autodidata que se inspirou na França. Hoje o resultado é copiado, amado ou odiado por todos. Falem bem ou mal, o local é super conhecido, seja por sua pouco provável localização - longe, antigamente, do burburinho típico de bairros super lotados -, pela descontração de seus ornamentos ou simplesmente pelo chique sem brilho.
Lousas com giz colorido fazem a festa pelo salão. Coincidência ou não, a limonada do Oui Oui é a especialidade da casa, mas isso deixamos para depois.
A mesa, bem feminina, com toques na maior parte em rosa, chama tanta atenção que até a loirinha do fundo ficou clamufada tamanha a beleza dos doces. Babem com essas medialunas (aqui chamadas de croissants, como na França), alfajores gordinhos, magdalenas, cookies, waffles.
O romantismo que impera na casa se reflete nas rosas bem dispostas e já diria perfumadas se as pudesse ter cheirado - o que causaria um estrago na mesa bem disposta de utensílios comestíveis e claramente causaria minha expulsão do lugar.
O cardápio, as usual, um quadro negro maior ainda com tudo o que a casa oferece naquela semana, com preço detalhado e a composição de cada prato. Iiii rimou! Não se espantem logo com o menú que te entregam na mesa: um papel simples plastificado com nomes de comidas sem preço: olhem para cima.
Ou olhem para a mesa cheia de waffles, quentinhos, recém saídos do forno. Tem como não amar?
Mas o Oui Oui não é só delicadeza: aqui ninguém teve medo de misturar santas com bebidas alcólicas. E pregar nos santos coraçõezinhos coloridos? Isso é para gente inocente.
Partimos para o que realmente colore nosso post: comidas! Um sanduíche maravilhoso de frango com bacon para quem era sorteado na divisão dos pedaços, molhadinho na maionese de Dijon: 38 pesitos.
Outro lanche para nós, esse de pavita (peito de peru) com tomates secos e alface. A surpresa do prato foram as batatas, que variava o sabor segundo o paladar de cada um presente na mesa. Teve gente que até achou que a batata era afundada no suco de laranja. Eu só sei que o gostinho era cítrico, nada mais. Y son 38 pesitos más.
Aqui a especialidade antes comentada: o Oui Oui adora limonadas. Acredito que estavam cansados de fazerem limonadas comuns e resolveram inovar. Perguntei: ''Che, que es la limonada loca?'', o garçom me disse ''Pero, es obvio que es con vodca''. Bora para dentro, claro gente, para fins profissionais. A limonada era divina, e não sei se é porque eu estava de muito sangue doce, mas eu achei que faltava a bendita vodca. Será? Balela, jarrinha por 25 pesos, acredita?
O doce da tarde ficou por conta dos...
Calma, no doce de leite e da nutella nos waffles! Ou vocês imaginaram que íamos comer doce de leite e nutella puros? Só pela cara não preciso nem dizer a tentação que era isso, e são 25 pesos a mais.
Falem mal mas falem de mim, esse é o lema do Oui Oui. Whatever, quem sai ganhando é o meu estômago, digo, o público! Mas existem várias razões pelas quais a casa é copiada, seja pela idéia original ou porque tudo ali é muito bom e em conta (rachada em três ficou em meros 42 pesos, ou seja 24 reais!). E diria mais: diria que toda vez que sair vou pro Oui Oui. Morram de inveja, porque ele fica na rua de casa!
Oui Oui
Nicaragua 6068 (esq. Dorrego) - Palermo Hollywood
Cap. Federal - Buenos Aires
(11) 4778 9614
www.ouioui.com.ar
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Oui Oui | café francês cool
Porota | cantinho de família
Eu amo um calorzinho sim. Daqueles de usar jeans e uma blusinha. Mas eu não sou fã do verão portenho, leia-se sol com 80% de umidade, clima 'pesado' como diriam os locais. Logo, culpo um tremendo dia de 32º graus a procura de uma sombra, no qual eu conheci o Porota.
De aparência feminina (e não digam, por favor, que eu sempre vou em lugar fru fru), o lugarzinho logo encanta pelo varal de passarinhos - que cumprem o posto de anfitriões da casa.
Pelo detalhe dá pra perceber que o trabalho é feito a mão, logo era também de se esperar que o local cumprisse mesmo com o slogan que defende de ''cocina de herencia''.
Ponto então pra quem teve a idéia de deixar o lugar mais home sweet home com esse quadro negro retratando nada menos que as delícias doces que por ali passam. Essas são pra levar pra casa.
Os detalhes da decoração não deixam nada a desejar, tudo bem pensado mesmo. Cada xícara no seu lugar, xícaras que por sua vez são minimamente desenhadas ao estilo casa da vó.
E mais clássico impossível ao completar com ares de casa da bisa, telefone negro e livros que parecem terem sido tirados de um baú que guarda relíquias.
Tudo isso em meio a tortas, muffins e um caixo de alho no fundo - que tal qual minha avó diz ''espanta qualquer mau olhado''.
Fotos e mais fotos daquelas de túnel do tempo, com direito a margem branca e maiôs de dar inveja.
Aqui mais uma lousa com o menú do dia, seguido - claro! e pausa pra isso porque eu amo, cozinha aberta (tudo a ver).
E na porta do lugar uma pausa (denuevo) pra esse origami maravilhosamente bem executado. Quem não ama esses guarda chuvinhas? Ok, voltando ao meu estado de espiríto controlado.
Mesinha e espreguiçadeira lá fora pra quem curte um dia sem vento, o que não é o meu caso.
E pra esclarecer a falta de pratos no post, eu só pedi um suco de tangerina (maravilhoso e refrescante) porque realmente minha respiração ofegante não me deixava pensar em outra coisa a não ser um balde de gelo.
Porota é isso: retratos da casa da bisa, com mobília da vó e delícias da mãe, pra levar toda a família, e os agregados. Com sucos de $10 pesos (R$5).
Porota
Gorriti 5881 (esq. Carranza) - Palermo Hollywood
(11) 4770 9234
Cap. Fed. - Buenos Aires
www.porota.com
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Bom para: netos, bisnetos e primos.
Ruim para: ovelhas negra da família.
Maios anos 70: inveja! (NOT!)
Salgado Alimentos | clássico de Villa Crespo
Ali, em uma esquina da Villa Crespo. Uma fachada... pitoresca. O nome? Salgado Alimentos. Isso só pode ser uma distribuidora de alimentos enlatados ou algo do gênero, mas o nome e a fachada, como outros tantos detalhes desse restaurante, enganam.
De clientela fiel e típica, como aquele senhor que vai almoçar antes de pegar o 53 até a Bombonera; ou aqueles estudantes, que após saracotearem horas no trânsito caótico de Buenos Aires, voltando das aulas, vão sentar à mesma mesa que a velha senhora sua mãe lhe mostrou que era boa.
O balcão, displicente na sua antítese de organização, charmoso com a bonita caligrafia dos quadros que apresentam algumas sugestões de pratos, o velho paninho que outrora limpava com sucesso copos baixos. E o que dizer do design de autor: o bom e velho azulejo emoldurando um extintor de incêndio.
Segue a bagunça, com um painel de letreiro que lembra a padaria do meu vô e alguns pacotes de macarrão a venda. Afinal, onde estamos?
A cocota nos garante: é o Salgado Alimentos.
Então sossegue, sente-se uma das apertadas mesinhas e, enquanto não chega o cardápio, aprecie o charme da construção.
Ok, até aqui brincamos. Mas quem não brinca é a cozinha do Salgado. O tradicional restaurante realmente é impecável no que serve, começando pelo pão fresco com pasta de abóbora.
Algumas almôndegas caseiras, fantásticas, saborosíssimas. Normal observa este prato em quase todas as mesas.
A variedade de massas no cardápio é incrível, e foi realmente difícil fazer uma escolha precisa aqui. Mas não erramos: primeiro, ravióli de carne assada com cogumelos.
E os fantásticos sorrentinos negros recheados com salmão e camarão.
Abertinho, para que você entenda exatamente o que ta acontecendo.
As opções de vinhos eram igualmente generosas, e optamos por pelo Torrontés, despontando aos poucos na Argentina. Aqui, um Elementos 2009.
E, para finalizar, o meu objeto favorito neste tipo de restaurante: o famoso “sua boca mais limpa com apenas 5754 guardanapos”.
Esta senhora experiência de influencia italiana sai por míseros $50 por pessoa (R$25), e somado a tantos detalhes, charmosos em sua simplicidade, fica impossível não sentir um apego pelo Salgado, aquele carinho que só colo de família sabe proporcionar.
Salgado AlimentosRamirez de Velasco 401 (esq. Aráoz) – Villa Crespo
Cap. Federal – Buenos Aires
(11) 4854 1336www.salgadoalimentos.com.ar
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Bom para: satisfazer o paladar
Ruim para: quem só vê cara e não vê coração
Azulejo: seu lindo
Farinelli | comidinhas para levar
O Farinelli sempre esteve na minha lista de desejos, aquela lista que você não vê a hora de liquidar. Esperando uma cia eis que um dia, finalmente, eu consigo ir até o super badalado café (se é que se pode chamar assim) de Buenos Aires. O lugar que mais se parece a um desfile de moda e estilos faz com que quase ninguém preste atenção no local. Então pra começar, olha a fachada tudo da casa.
Ok, até parece tirada de uma revista estrangeira, não é? Calma, ainda tem as fotos de lá dentro. Reparem só como os quitutes são colocados na bancada, a olhos da freguesia que parece também saida de uma revista ao estilo Vogue.
Como se não bastasse, é incrível a criatividade dos donos ao fazerem uma cozinha aberta, super cool e ainda assim ser linda e atraente o suficiente pra abrigar filas e mais filas no lugar.
Sim. Aqui é um dos lugares favoritos das mulheres.Prestem bem atenção em como as frutinhas ganharam espaço especial por aqui: Buenos Aires
sustentável.
Passadinha bastante rápida por lá (tipo caminhada de passarela, sabe?) e ainda deu tempo de comer tudo isso aí que está no prato: quiche de cogumelos, milanesa vegetariana com rucula e tomates, espetinho de frango e polenta brustolada coberta com cogumelos. Não tem como competir. Com um preço de $60 pesos por pessoa (menos que R$ 30), a refeição ali não é economica, mas definitivamente é saida direto da vitrine. Ficou curioso em conhecer? Coloca uma roupa bem fashionista, óculos de sol retrô (ótimo pra esconder a ressaca da noite anterior) e pronto, tá na moda.
FarinelliBulnes, 2707 (esq. Cerviño) - Palermo
Cap. Federal - Buenos Aires.
(11) 4802 2014
www.farinelli.com.arMapa
Bom para: fashionistas.Ruim para: aquele que não está afim de colocar a melhor roupa no guarda roupa pra sair.
Cozinha aberta: nós te amamos, chega lá em casa!
El Último Beso | chá com charme clássico
Fãs de cafézinhos e cuti-cuti places para curtir uma boa rehab, preparem-se. Se não há alegria nos rostos masculinos nesse momento, ou se o divino pan de miga não te atrai, não desista do post: prometo boas desculpas para fazer da sua ressaca um dia de, mimos. E se tratando de mimos dos mais variados, começamos com uma pérola do bairro Palermo em Buenos Aires, o El Último Beso.
De aparência romântica e de clientes femininas acostumadas aos caprichos, a grande idéia é fazer del té de la tarde um passeio pela loja OMG do local e deixar qualquer um doido de desejo - para as mais sonhadoras vale serenata de amor e anel de noivado escondido na sobremesa.
Tudo ali conspira pelo conto de fadas eterno: adornos requintados de beleza clássica e a simpatia dos atendentes (e de passagem os únicos representantes masculinos da casa) recheiam de encanto os meros mortais que por ali passam.
A saga pelo final feliz começa na loja. São tantas as graças que fica difícil escolher um regalito no más, portanto presentear desde a família inteira até os vizinhos é uma boa solução.
A mesa que imita casa de bonecas é O charme. Logo dali em diante, as mulheres se sentem literalmente em casa.
E mesmo se o seu final feliz não está tão afortunado assim, William Caxton enche os olhos dos amantes logo no começo do menu mais romântico de Buenos Aires - e por isso leia-se frases de amores impossíveis Shakespearianos, do tipo Romeu e Julieta. Um lustre na sala principal feito com frases desse e outros autores, na minha apaixonada opinião, é a principal razão pela qual esse lugar é tão especial.
Inspirados no cinema (o nome El Último Beso veio de um filme italiano) os chás do menu levam nomes de grandes clássicos da big screen. Logo, o Casablanca seria inevitavelmente acompanhado por um delicioso bolo de chocolate com doce de leite.
E o gran finale ficou pro Cinema Paradiso com as famosas medialunas - pra ninguém botar defeito.
Coadjuvante ou não na sua rehab, homens fiquem atentos: paparicar a namor às vezes massageia o ego. Saber que ela irá te elogiar forever and ever pela escolha do lugar, não tem preço. Ou melhor, tem preço sim: $20 pesos por pessoa – R$10. Hmmm, e foram felizes para sempre. Convencidos?
El Último Beso
Nicaragua 4880 (esq. Jorge Luis Borges) - Palermo Soho Cap. Federal – Buenos Aires (11) 4832 7711
www.elultimobeso.com.ar
Mapa
Bom para: curtir a rehab com uma namor feliz ao lado
Ruim para: os mais machões que não engolem um romantismo
Entre Cinema Paradiso e Casablanca: prefiro El Último Beso